A relação com o mestre

Tem-se falado muito no Lyoto Machida, lutador de MMA, e na sua relação de treino com o Steven Seagal, 7º Dan de Aikido, após o combate em que Lyoto saiu vitorioso com uma técnica transmitida pelo conhecido actor.
Independentemente da transmissão de conhecimentos técnicos, e da qualidade técnica do Lyoto, tenho uma enorme consideração por este individuo por personalizar em pleno século XXI uma atitude muito rara de encontrar.
Ora atentem nesta adaptação de um texto budista,
  1. Sê como um filho obediente, agindo exactamente de acordo como  conselho do mestre
  2. Mesmo quando os demónios e amizades vis te tentam separar do Mestre, sê como um diamante, inseparável para sempre
  3. Quando o Mestre te der um trabalho, seja qual for o fardo, sê como a terra que tudo carrega
  4. Quando em devoção ao Mestre, seja qual for o sofrimento que ocorra, sê como uma montanha inamovível
  5. Mesmo que tenhas de desempenhar uma tarefa difícil, sê como um servo do rei, com uma mente imperturbável
  6. Abandona o orgulho. Tem-te sempre como inferior ao Mestre, sê como uma vassoura
  7. Sê como uma corda, alegremente segurando o trabalho do Mestre, não importa quão difícil seja.
  8. Mesmo quando o Mestre te critica, provoca ou te ignora, sê como um cão sem raiva. Nunca responder com raiva
  9. Sê como um barco, nunca se vire a qualquer momento, ao ir e vir para o Mestre,
Agora vejam este video do Lyoto Machida a ser “congratulado” por uma vitória em combate pelo seu antigo treinador Antonio Inoki

Férias Páscoa = Retiro

Aproveitando a Páscoa para retirar uns dias de férias para estar em retiro com Tulku-La, coloco o blogue em modo espiritual e vou fazer um esforço (enorme) para durante uns dias não andar para aqui a divertir-me às custas do Aikido.

O relacionamento da espiritualidade com o Aikido, suscita um debate extenso sobre se o Aikido é uma arte marcial ou uma prática espiritual, ou ainda uma prática-de-cair-bem-e-ter-saúde-que-nós-não-ligamos-muito-ao-lado-marcial-da-coisa-e-isto-violência-não-tem-nenhuma.

Sinceramente, não vejo diferença nenhuma entre a uma prática espiritual e uma arte marcial, talvez porque tenha aprendido que necessito de aproveitar o passar-a-ferro ou o dobrar fraldas reutilizáveis para poder meditar um pouco. Aprendendo isto todos os momentos podem ser uma prática espiritual. Lembro-me perfeitamente de num  retiro na Morejona depois de algumas pessoas terem comentado a falta de privacidade dos sanitários, de Raphael Doko Triet durante o ensinamento ter referido que nem na altura de mandar um peido as pessoas se sentem realmente livres, e que deviam aproveitar esse momento em que sentem oprimidas pela vergonha/embaraço para se libertarem dessas emoções e se peidarem livremente… Imagino que se fosse O’Sensei teria dito para se peidarem em sintonia com o Cosmos, uma prática difícil se pensarmos nela, mas simples se apenas nos largarmos nos braços das ondas cómicas.

Antes de ir de férias, deixo aqui o meu kohan preferido de Joshu:

Um monge disse a Joshu: “Acabei de entrar no mosteiro. Por favor, ensine-me.”
Joshu perguntou: “Você já comeu a sua tigela de arroz?
O monge respondeu, “Sim, já comi”.
Joshu disse: “Então vá lavar a tigela”.

Aiki

Há tempos publiquei aqui uma reflexão sobre a prática do Aikido de Gaku Homma.

Acho que todo o praticante de Aikido inevitavelmente irá colocar questões sobre a sua prática e reflectir nas transformações que ocorrem na sua vida, eu já o tinha feito aqui um pouco a brincar.

Tento por vezes fazer paralelismos entre a prática física do Aikido e a prática do treino da mente que faço como budista. Na minha opinião há imensos pontos de contacto, para tentar exprimir as minhas “ideias” recorro a um texto que me chegou via o blogue Samsara da autoria de Alan Wallace.

“O dharma é semelhante a uma guerrilha. Quando o seu oponente é mais forte e você entra na batalha desguarnecido, você perde. Avalie o poder da sua mente para a virtude sem esforço, a gentileza amorosa e a sabedoria. Depois meça o inimigo: as propensões habituais de egoísmo, presunção, ciúme, arrogância, raiva e apego.

Em relação ao poder do hábito das aflições mentais, o poder da virtude e da compaixão podem parecer insignificantes. Você terá de ser mais esperto e mais rápido. A estratégia é aplicar o remédio antes do abraço do ego e da centralidade em si mesmo ganharem força. Se esperarmos até que as aflições tenham concentrado suas forças e dominado nossa mente, nossas opções ficarão limitadas.

A táctica utilizada para superar e deter a investida das aflições mentais é montar guarda nos portões da mente. Quando o ego, o egoísmo, o apego ou a raiva fizerem sua primeira investida, teremos uma chance de lutar. Assim como na guerrilha, quando o inimigo avançar, retroceda — não se identifique com ele nem exponha sua força; quando o inimigo recuar, avance.

Os sinais de que estamos vencendo a guerra são um enfraquecimento das aflições mentais e um sentimento resultante de aumento do bem-estar.”

Agora troquem dharma por Do, reconheçam que quando executam a técnica de Aikido o verdadeiro inimigo são as nossas emoções, hábitos corporais e mentais, lembrem-se da importância de sempre, sempre, sempre, sempre manter o mahai, mantenham a postura de forma a que o movimento possa surgir livre, depois é só fazer como O’Sensei recomendava:

“Quando empurrado gire e contorne. Quando puxado entre e circule.”

Começamos a perceber que a nossa prática de Aikido está a dar resultados quando as técnicas começam a sair sem esforço, sem “aflição”.

Aikido e Meditação

No último fim de semana baralhei uma aula de Aikido com ensinamentos sobre meditação, assimilei o que me foi transmitido, abanei bem a mistura e concluí:

Os praticantes de Aikido começam desde a 1ª aula a exercitar algo que só através de muitas horas de meditação é possível experimentar.

Quando um mestre de meditação te diz, “Tu não és os teus pensamentos, tu és quem vive a experiência de pensar” está a referir-se ao espaço que o praticante de meditação começa a sentir entre os seus pensamentos/emoções e a sua verdadeira natureza. Esta distância permite que ele possa experimentar uma emoção forte (ex: medo) sem se deixar envolver em demasia, sem abandonar o contacto com a sua verdadeira natureza (alma, natureza de buda, atman… chamem o que quiserem).

Centrado em Si, a emoção é expressa e a relação com a emoção é vivida de forma diferente, de forma libertadora, começa a acontecer o processo de “cura”.

Para que o praticante de meditação se aperceba deste fenómeno e o consiga pôr em prática pode levar anos, com anos quero dizer que há quem medite toda uma vida e nunca consiga criar este espaço entre Si e os seus pensamentos.

Um iniciante na prática de Aikido começa a lidar desde o inicio com a sensação de contacto e a sua relação com a essa sensação. Tomando por exemplo o ataque Katate Dori, o praticante começa por estudar as sensações de ser preso e a relacionar-se com as mesmas. Muito rapidamente a sua progressão na técnica o ajuda a ver que apesar de o seu pulso estar preso, ele não está, há espaço entre a sensação e o seu centro, e é a partir do seu centro que o praticante trabalha, transformando a partir desse centro a sua relação com a sensação de estar preso.

Aqui está o atalho que Morihei Ueshiba nos ofereceu.

É a noção de centro e de acção a partir do centro independentemente das circunstancias que rodeiam o Aikidoca, que permite a este operar transformações na sua vida que vão para além do Dojo.

Em bem da verdade para que estas transformações possam ser operadas falta uma base imprescindivel, falo de sila a primeira paramita (grande perfeição) do Budismo. Sila pode ser traduzido por moral, ética ou comportamento correcto. Sem a noção do agir correctamente não há base para a progressão interior do Aikidoca.

O Aikido tem um sistema de ética, onde por exemplo podemos encontrar o respeito pela integridade fisica do Uke, o Aikidoca deve reflectir sobre o que isto significa verdadeiramente e deve saber pôr esta ética em prática fora do Dojo, porque se não o fizer torna o Aikido limitado ao espaço do Dojo e desligado da sua vida, deixa de ser uma arte e passa a ser um desporto. O Aikidoca progride na técnica, mas mata a arte.

Da violência à harmonia

Um samurai de nome Nobushige ouvindo falar do mestre Zen Hakuin decidiu ir ao seu encontro na tentativa de desvendar os segredos da Via.

Ao chegar a Hakuin perguntou:
-“Existe realmente um inferno e um paraíso?”
“Quem és?” – Quis saber Hakuin.
“Sou Nobushige Samurai”, respondeu.
“Tu um samurai? Não passas de um ronin andrajoso, que senhor te tomaria ao seu serviço?! Não passas de um mendigo!!”

Nobushige furioso com os gravoso insultos de Hakuin ameaça desmbainhar o seu sabre.

Hakuin reforça os insultos: “Tens uma espada mas não és digno dela, decerto que não a sabes usar”

Quando Nobushige desembainhou o sabre e se preparava para desferir o golpe, Hakuin diz: “Assim se abrem as portas do inferno”, o samurai compreendeu o ensinamento do mestre Zen e embainha de novo a espada.

“Assim se abrem as portas do paraíso”, disse Hakuin.

“I you don’t know the extremes, you’ll never find the happy middle”

Declaração Importante!

Tendo tido conhecimento de várias actividades promovidas pelo Dr. Carlos Amaral – que se tem apresentado com o título de Venerável Lama Khetsung Gyaltsen e como representante de Sua Santidade o Dalai Lama – , em nome da tradição budista, e que têm sido objecto de polémica e dúvidas, a União Budista Portuguesa declara publicamente que o referido senhor, havendo solicitado há cerca de 5 anos a inscrição de uma associação por si dirigida na União Budista Portuguesa, e tendo-lhe sido solicitada a apresentação do seu historial e credenciais, que permitissem o reconhecimento da sua legitimidade, nunca o fez. Por este motivo a União Budista Portuguesa não pode garantir a fiabilidade da orientação budista das actividades do Sr. Carlos Amaral e declina qualquer responsabilidade pelas mesmas.

O Presidente da Direcção

Paulo Borges

Para que reconheçam o senhor quando o virem aqui fica um pequeno video

ONTEM POR TIMOR, HOJE PELO TIBETE !

Concentração e Vigília em frente à Embaixada da República Popular da China, 4ª feira, 19 de Março, a partir das 19H00 (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa)

Perante os graves acontecimentos que ocorrem em Lhasa e noutros pontos do Tibete, em que já perderam a vida mais de 100 pessoas, só possíveis devido a quase 60 anos de brutal ocupação, opressão e violação dos direitos humanos por parte do governo chinês, convocamos todos para uma concentração e vigília de solidariedade com o povo tibetano, a favor do fim da repressão e da violência e do respeito pelos direitos humanos no Tibete.

Apelamos a todos os órgãos de comunicação social que nos ajudem a divulgar esta iniciativa e a todas as organizações cívicas e humanitárias que se juntem a nós.

Quando os governos, as Nações Unidas e os poderosos deste mundo permanecem indiferentes, desprezando as causas humanitárias em prol dos interesses económicos, cabe aos cidadãos indignarem-se e solidarizarem-se com os seres humanos como nós que estão a ser violentados e oprimidos. Exijamos do nosso governo, que tome uma posição à altura das nossas relações históricas com o povo tibetano e que exorte a comunidade internacional a mobilizar-se.

Recordamos que está on line uma Petição para que a Assembleia da República aprove, de acordo com os princípios fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa, uma moção de censura à sistemática violação dos Direitos Humanos e das Liberdades Política e Religiosa no Tibete, por parte do Governo Chinês.

Esta petição já excedeu numa semana as 1600 subscrições e, com a ajuda de todos, chegará às 4000, o que tornará obrigatória a sua discussão na Assembleia da República.

http://www.PetitionOnline.com/Tibete08/petition.html

Não faltes ! Traz uma vela e um Amigo ! Auxilia na divulgação desta mensagem !

Ontem por Timor, Hoje pelo Tibete !

ORGANIZAÇÃO:

Grupo de Apoio ao Tibete
http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/
grupodeapoioaotibete@gmail.com
União Budista Portuguesa
http://www.uniaobudista.pt/ Tel: 21 363 43 63

CONTACTO (Media):

Tm: 91 811 30 21

depois disto prometo que deixo de beber vinho ao almoço

vacuidade e impermanênica, como compreender estes conceitos?!?!

impermanência, tudo é impermanente, tudo depende de uma causa ou uma condição, se essa causa ou condição deixar de existir o que é impermanente deixa de existir, por exemplo, nesta sala onde eu escrevo este post há oxigénio, se ele deixar de existir nesta sala e eu não consigo sair para outra sala, essa condição essencial para que este ser impermanente de nome paulo permaneça, deixa de existir e findou-se o paulo

o que é impermanente é ilusório, se não fosse uma ilusão seria verdade, e porque seria verdade, seria verdade sempre, caso contrário seria uma verdade ilusória, então o paulo é impermanente, ou seja, ilusão

vacuidade, neste espaço “vazio” está o paulo, o paulo deixa de estar o espaço vazio continua, a sala onde está o paulo deixa de estar, o espaço “vazio” continua, o edificio deixa de existir, o planeta deixa de existir, e o espaço vazio continua, permanece sempre, é o fluxo continuo de consciencia, do vazio para o vazio sempre sofreremos a impermanencia… ou não

e facilmente meditando sobre esta vacuidade a encontramos…

então o que é isto que tem a percepção desta vacuidade que permanece??? mas o que é de verdade verdadeira, daquela que permanece, mas o que é?!?!?

é o koan do paulo

let it go ouvi dizer