Vesak


Amanhã 31 de Maio, é a quinta lua cheia do ano. No Vesak comemora-se o nascimento, iluminação e parinirvana do Buda Shakyamuni. Especialmente neste dia devemos estar atentos aos 8 preceitos:
– Eu tomo o preceito de abster-me de matar seres vivos.
– Eu tomo o preceito de abster-me de tomar o que não for dado.
– Eu tomo o preceito de abster-me de comportamento sexual impróprio.
– Eu tomo o preceito de abster-me da linguagem incorreta.
– Eu tomo o preceito de abster-me do vinho, ácool e outros embriagantes que causam a negligência.
– Eu tomo o preceito de abster-me de comer nos horários proibidos (isto é, após o meio dia).
– Eu tomo o preceito de abster-me de dançar, cantar, ouvir música, ver espetáculos de entretenimento,de usar ornamentos, usar perfumes, e embelezar o corpo com cosméticos
– Eu tomo o preceito de abster-me de deitar em leitos elevados ou luxuosos.

Da borboleta fez-se amor


Um dia ao pôr do sol, Zhuangzi adormeceu e sonhou que se transformou numa borboleta.

Ele bateu as suas asas, e certo disso ele era uma borboleta…

Que sentimento feliz o invadiu enquanto voava, ele esqueceu-se completamente que era Zhuangzi.

Subitamente, ele apercebeu-se que aquela orgulhosa borboleta era na realidade Zhuangzi que sonhava ser uma borboleta, ou era a borboleta que sonhava ser Zhuangzi!

Talvez Zhuangzi fosse a borboleta, e talvez a borboleta fosse Zhuangzi? Este é o significado da “transformação das coisas”.

Chuang Tse

Aikidança

Aikido – Dançando com o conflito

de Patrick Koop

“O génio do Aikido é a transformação do mais violento ataque, abraçando-o, numa dança – George Leonard

Aikido é uma arte marcial japonesa, com uma rica e fascinante filosofia. Muitas pessoas ficam surpreendidas quando vêm pela primeira vez os movimentos do Aikido. As suas técnicas parecem uma dança; uma bela e harmoniosamente coreografada dança!

De facto, o Aikido tem muito a ver com harmonia. Aikido é o caminho da harmonia com a energia universal. “Ai” significa harmonia ou amor. “Ki” significa energia universal ou espírito.”Do” significa a Via. A energia universal não é nada sobrenatural ou transcendente, a maioria das vezes navegamos nas suas ondas sem nos apercebermos disso. É esta energia que nos mantém a crescer, a viver ou no limite, a existir. É a energia que nos liga, que nos mantém centrados; é a energia da vida. Quando vemos pessoas apaixonadas a dançar – amparando-se, tocando uma na outra, sentindo-se uma à outra, podemos imaginar a dimensão e o significado de AiKi.

Lamentavelmente, durante um conflito, os oponentes frequentemente deixam a via do amor e harmonia, ou porque lutam um contra o outro (destruindo a relação) ou fogem um do outro (desligando a relação). Os oponentes simplesmente se esquecem que existe uma terceira via de lidar com o conflito: enfrentá-lo sem violência (e salvando a relação)!

A dança do Aikido começa com alguém que está consciente desta terceira via. De alguma forma, todos podemos ser esta pessoa Aikidoka, por exemplo alguém que caminha em direcção à harmonia.

Não ver o oponente como um inimigo

Pode ser o primeiro passo nesta via e talvez o mais importante. O ciclo da violência tem primeiro de ser quebrado nas nossas mentes. A imagem de um inimigo defronte de nós irá sempre preparar-nos para a sobrevivência, ou corremos (estou a fugir e espero ser mais rápido) ou lutamos (estou a lutar e espero ser mais forte).

E quem é que gosta de dançar com o inimigo?

Neutralizar as energias destrutivas, não o oponente

É este o objectivo da dança do Aikido. Energias que têm um efeito negativo nas nossas relações, energias que têm como objectivo causar dor ou humilhar o oponente são os nossos verdadeiros inimigos. A questão é como podemos trabalhar com tais energias?

Dancemos!

Avançar ou recuar

As técnicas do Aikido envolvem a união com o ataque do oponente, usando a sua energia, e redireccionando essa energia. Há dois estilos possíveis. O primeiro estilo de dança leva-nos para fora da linha do ataque. Se a energia destrutiva vem na minha direcção e me pode atingir e magoar, é melhor afastarmo-nos e deixar passar. Não há necessidade de bloquear o seu percurso. Deixemos a energia fluir; apanhamo-la assim que passe perto

O segundo estilo de dança entra na linha do ataque e recebe a energia antes que ela evolua para uma força destrutiva.

Não há necessidade de força adicional

Não há necessidade de atiçarmos o fogo antes de o apagarmos! Então o melhor é poupar energia e usar apenas aquela que o oponente trouxe. Para uma dança, energias destrutivas são mais que o suficiente para ambos. O melhor é modificá-las.

Portanto, o que se segue são várias técnicas de movimento circular que por vezes se assemelham a uma mistura de uma valsa e ballet: virando à esquerda, unindo, virando à direita, e pirueta. Este é o momento crucial em que o Aikidoka toma o controle das energias. Como uma dança de casais, movendo-se juntos como um único organismo, por um curto período de tempo os oponentes tornam-se um.

No fim do pas-de-deux, energias potencialmente mortíferas são aprisionadas na esfera do Aikidoka, prontas a serem neutralizadas.

Desequilibrando o Oponente.

Neste momento o controle absoluto da situação está nas mãos do Aikidoka, os princípios do Aikido da não-violência e reconciliação são levados ao extremo. Quando desequilibrado, o oponente perde controlo sobre o seu próprio corpo, pode cair e magoar-se especialmente quando não é um bom “dançarino”. O Aikidoka tem de cuidar agora não só das energias, mas também da integridade física do parceiro de dança. Se o Aikidoka agir bem, o oponente rapidamente se encontrará preso e seguro no chão. As energias estão prisioneiras. A dança acabou. A reconciliação pode começar…

Vendo todo o processo, podemos observar algumas semelhanças entre a dança e o Aikido.

Ambos expressam os seus princípios espirituais em certos movimentos físicos. Ambos brincam com o jogo místico do amor. Sendo criações deste jogo, será que realmente nos espanta que o Aikido e a dança pareçam um pouco semelhantes?”

Para a Patrícia, a mais bela dançarina

Budismo

“De todas as coisas que procedem de uma causa, o Buda, explicou a causa e também o cessar.”

Encontramos este versículo de Ashvajit, um dos cinco primeiros discípulos de Buda, registado, honrado e venerado em todo o mundo budista oriental. No Tibete, na China, no Japão, na Tailândia, no Sri Lanka, vemo-lo gravado em monumentos de pedra e tabuinhas de barro, impresso em tiras de papel para serem colocadas dentro de imagens, inscrito em placas de prata ou ouro. É, podemos dizê-lo, o credo do Budismo. Se nos parece algo seco e abstracto, académico, desinspirador até, por certo que não o pareceu a Shariputra, que entrou na corrente ao ouvir o verso e se tornou mais tarde o principal discípulo de Buda. E quando pensamos realmente no princípio da pratitya-samutpada – seja qual for a forma em que é apresentado -, quando meditamos sobre ele, quando avaliamos verdadeiramente as suas implicações, então começamos a compreender o impacte que teve sobre o mundo. O que quer que venha a existir, não importa em que nível, fá-lo na dependência de condições e, na ausência de condições, cessa de existir. E é tudo o que diz. Mas se há algo que seja Budismo, isto é Budismo.

Sangharakshita